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Mnemosine - de Profundis

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Tento imaginar um leitor ou leitora jovem confrontando-se com este texto pela primeira vez. Ele ou ela – mas fiquemo-nos pelo “ele”, não só para facilitar a escrita, mas para reforçar a identificação entre Wilde e o seu leitor – muito provavelmente terá chegado ao livro através da inclusão de Oscar Wilde na galeria dos autores gay históricos (pelo menos eu escrevo a partir dessa premissa, tanto ou tão pouco válida como outras); terá chegado a ele com a informação, algo vaga, de se tratar de uma carta a um amante desavindo; e ainda com a referência a um texto escrito na sequência de uma punição judicial marcadamente homofóbica. O estranhamento e a empatia configuram-se logo aqui. Miguel Vale de Almeida (excerto do Prefácio) No Verão de 1891, Wilde é apresentado ao jovem Lord Alfred Douglas, familiarmente conhecido como Bosie, estudante de Oxford com aspirações literárias, filho do Marquês de Queensberry. Inicia-se então a tempestuosa amizade que culminará no julgamento e condenação de Oscar Wilde a dois anos de trabalhos forçados, em 1895. A longa carta dirigida a Lord Alfred Douglas foi escrita durante os últimos meses que Wilde passou na prisão de Reading. Esta carta não foi enviada a Bosie da prisão, mas confiada a Robert Ross, amigo de Wilde, várias vezes mencionado ao longo do texto, que dela mandou fazer duas cópias, de acordo com a vontade de Oscar Wilde. Uma das cópias teria como destinatário Lord Alfred Douglas, que sempre negou tê-la recebido, a segunda foi deixada em testamento ao filho de Wilde, Vyvyan Holland. É esta carta que agora publicamos. Rita Correia (excerto da Nota Biobibliográfica)

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