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Meandros Divagantes da Poesia: Ou Sobre o Processo de Criação Poética

Meandros Divagantes da Poesia: Ou Sobre o Processo de Criação Poética

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Há muitas palavras para dizer o mover-se que é o nosso, de leitores, por este livro de Aguinaldo J. Gonçalves: caminho, percurso, viagem. Ou meandro, como está em seu título, palavra que vem do grego e que significa a curva acentuada de um rio. Na tipologia fluvial, há rios retos, sinuosos, meandrantes. Por vezes, chegam a perfazer amplos semicírculos, por um processo de erosão de suas margens, e recebem o nome de "divagantes", que é menos do que dizê-los "tortuosos", quando mudam bruscamente de sentido diante de fraturas ou diáclases. No livro de Aguinaldo, são meandros da palavra poética, que corre como as águas negras de Álvares de Azevedo, "de um rio que se perde na floresta", forma pântanos "plenos de lixo e pó das estrelas" em Georg Trakl, podendo congelar-se qual palavra em João Cabral de Melo Neto, boiando no papel. Seguimos por poemas como se a cada margem, de verso a verso — do verter-se, vertente —, de estrofe a estrofe, das flores de Drummond às "flores de ferro" de Cabral, observássemos palavras que nos movem, desviam o sentido, levam-nos ameaçadoras ao fundo, recolhem-se às margens, depositam-se, fazem brotar outras. São meandros que vão, igualmente, da poesia à imagem, e da imagem à poesia, guiados por um atento observador dessa relação em estudos fundamentais como Laokoon Revisitado: relações homológicas entre texto e imagem (1994). Lembram-nos, a todo tempo, de uma linguagem, a da poesia, "que move nossa mente e nosso espírito", diz-nos. Condensa-se e sopra da "nebulosa do espírito" do artista, tornando-se ruído e enigma, à nossa própria nebulosa. Entre uma e outra, meandros que podem ser verticais, aéreos, em sentido oposto ao curso declinante do rio, e da vida. Alcançam o que Aguinaldo nos diz ser a "suspensão do tempo". Fazem do divagar esse outro…

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